Acompanhamento dos trabalhos constituintes (CF de 1988)
Hugo Nigro Mazzilli participou ativamente da elaboração da Carta
de Curitiba, a qual preparou as bases para o projeto de consenso do
Ministério Público nacional, para ser apresentado à Assembleia Nacional
Constituinte (junho de 1986).
Nessa qualidade, foi membro da Comissão de Estudos Constitucionais,
indicada pela Associação Paulista do Ministério Público, para receber,
selecionar e apreciar sugestões que foram encaminhadas à Assembleia
Nacional Constituinte, em nome da entidade de classe (ofício n.
413/85-APMP); membro da Comissão designada pela Associação Paulista do
Ministério Público, que elaborou o Anteprojeto da chamada “Carta de
Curitiba”, com a proposta do Ministério Público Nacional para a
Constituinte (junho de 1986); membro da Comissão Conjunta
Procuradoria-Geral de Justiça — Confederação Nacional do Ministério
Público (CONAMP) — Associação Paulista do Ministério Público (APMP), para
análise do Anteprojeto de Constituição Federal da Comissão de Estudos
Constitucionais (Aviso n. 246/86-PGJ, de 10.12.86, DOE, I, 11.12.86, p.
19); membro da Comissão Permanente, criada pela Procuradoria-Geral de
Justiça (PGJ), Confederação Nacional do Ministério Público (CONAMP) e
Associação Paulista do Ministério Público (APMP), para acompanhamento dos
trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (Aviso n. 47/87, DOE, Seç.
I, 17.3.87, p. 16).
Com um grupo de Promotores (por São Paulo, Cássio Juvenal Faria, Hugo
Nigro Mazzilli, José Emmanuel Burle Filho e Walter Paulo Sabella; pelo Rio
Grande do Sul, dentre outros, Agenor Casaril, José Antonio Paganela
Boschi, Paulo Emilio Jenisch Barbosa, Voltaire Lima Moraes e Vladimir
Giacomuzzi), participou em janeiro de 1987 (Porto Alegre, RS), da
elaboração de um texto didático destinado a ser distribuído aos
Constituintes (informalmente conhecido como "cartilha"),
cujo propósito consistia em divulgar a Carta
de Curitiba entre os constituintes, com as explicações sobre o que
era o Ministério Público, quais suas principais atribuições, bem como as
mais importantes aspirações do Ministério Público nacional para a
Constituinte.

Foto de jan. 1987, no Ministério Público do
RS. À esquerda, José Emmanuel Burle Filho (SP), Cássio Juvenal Faria (SP),
Voltaire de Lima Moraes (RS), Vladimir Giacomuzzi (RS), José Antônio
Paganella Boschi (RS), Walter Paulo Sabella (SP) e Hugo Nigro Mazzilli
(SP); à direita, o terceiro, da frente para o fundo, é Agenor Casaril
(RS), o segundo (no meio) é José Paulo Baltazar (RS) e o primeiro é
Raimundo César Ferreira da Silva (RS).
Juntamente com diversos líderes de classe do Ministério Público
nacional, também acompanhou ativamente os trabalhos da Assembleia Nacional
Constituinte (1986-1988). A propósito, v. "Memórias das lutas
pela obtenção do texto do Ministério Público na Constituição de 1988", de
Walter Paulo Sabella, Antônio Araldo Ferraz Dal Pozzo e José Emmanuel
Burle Filho, constantes do livro Ministério Público - vinte e cinco
anos do novo perfil constitucional, coordenado por esses mesmos
autores, Ed. Malheiros, 2013, p. 21-18.
A propósito de sua participação na elaboração do perfil institucional do
Ministério Público na Contituição de 1988, v. notícia a respeito
divulgada pela Associação Paulista do Ministério Público, clicando aqui.
Cabe ainda destacar trecho do depoimento do Procurador de Justiça Dr.
Walter Paulo Sabella, do Ministério Público de São Paulo ao Memorial do
Ministério Público de São Paulo, prestado em 28 de novembro de 2013
(constante de https://www.youtube.com/watch?v=JfxNoc-YNq0,
acesso em 03-01-2025). Nessa passagem, o Dr. Sabella, que era o Secretário
da Conamp - Associação Nacional do Ministério Público, fala dos trabalhos
de alguns membros do Ministério Público como Assessores Parlamentares
junto aos Constituintes, quando da elaboração da Constituição de 1988. Por
volta de 01:49:00 h da gravação, o Dr. Sabella registra: “Só podiam
frequentar o Plenário [da Assembleia Nacional Constituinte] os
Constituintes e os Assessores Parlamentares. Nós, do grupo permanente,
éramos assessores parlamentares. E éramos mesmo! Sabem por que?
Nós não estávamos ali cuidando apenas do Ministério Público; nós
auxiliávamos todos os Constituintes que nos pediam, no preparo de emendas,
de estudos, de sugestões, em todos os temas. Aliás, a nossa
Comissão de Estudos Permanentes mantinha uma versão em São Paulo, e quando
nos pediam qualquer coisa que a gente não tinha tempo de fazer, a gente
ligava para cá [São Paulo] e pedia. Hugo Mazzilli nos deu uma cobertura,
uma retaguarda técnico-jurídica fantástica; ele preparou muita coisa, e às
vezes ia conosco para lá [Brasília] também. Mas o Hugo sempre foi mais um
homem do estudo, um homem do Direito, embora tenha sido político também.
Mas ele preferia cuidar dessa parte, e preparou muitos estudos, embora
tenha ido lá [Brasília] muitas vezes.”

Foto do Autor, de 1988, no Gabinete do
Constituinte Deputado Federal Ibsen Pinheiro (RS), entre Walter Paulo
Sabella e Renato Martins Costa, sentados; de pé, Chirochi Onki e Maurício
Augusto Gomes (todos membros do Ministério Público do Estado de São
Paulo).

Foto do Autor, de 1988, no mesmo local; com
ele, sentados, Marisa Rocha Teixeira, Maurício Augusto Gomes e Renato
Martins Costa (todos membros do Ministério Público do Estado de São
Paulo).
Depoimento
do
próprio autor, a propósito dos trabalhos da Assembleia Nacional
Constituinte de 1988.
Depoimento
do
Constituinte Plínio de Arruda Sampaio, a propósito dos trabalhos da
Assembleia Nacional Constituinte de 1988.
Entrevista
do Procurador de Justiça Walter Paulo Sabella ao jornal Carta Forense,
a propósito dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte de 1988.
Entrevista
do Procurador de Justiça Walter Paulo Sabella ao Memorial do MPSP, a
propósito dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte de 1988.
Depoimento
do Procurador de Justiça Cláudio Barros Silva (MPRS), a propósito
dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte de 1988.
Depoimento do
Desembargador José Antônio Paganella Boschi (TJRS) ao historiador
Gunter Axt (2002), a propósito dos trabalhos da Assembleia Nacional
Constituinte de 1988.
Artigo de
Gunter Axt, intitulado A criação do CNMP: dos primórdios do
debate sobre o controle externo à Emenda Constitucional n. 45/2004,
publicado no livro Memória do CNMP - relatos de 12 anos de
história, p. 13, Brasília, 2017.
Artigo
de Mylene Comploier, intitulado O Ministério Público e a
Assembleia Nacional Constituinte: as origens de um texto inovador,
publicado na Revista Justitia, 207/257.
Artigo
de Rui Cavallin Pinto, intitulado O Ministério Público e a
Constituinte de 88, pub. no site da Associação Paranaense
do Ministério Público (acesso em 15-10-2020).